terça-feira, 11 de novembro de 2008
Multado!
Het Prinsehof
A diferenciação não se deu apenas na língua: após a independência, a Holanda teve um rápido desenvolvimento capitalista, atingindo seu apogeu no século XVII, tornando-se ponto atrator de filósofos, cientistas, artistas e livres-pensadores; enquanto a Bélgica espanhola por muito tempo ficou para trás. Para complicar: às vezes se fala em Países Baixos para referir-se à região histórico-geográfico-cultural que compreende a Holanda e a Bélgica de língua holandesa; e o nome oficial da Holanda é Países Baixos - Holanda do Sul e Holanda do Norte são duas províncias. Mas os próprios holandeses quase sempre falam Holland, e não Nederland. Nem eles se entendem.
Aliás, Delft beneficou-se muito com a era de ouro holandesa, pois muitos de seus burgueses investiram na Companhia das Índias, depois que o comércio de cerveja entrou em declínio. A riqueza deste período é bem retratada por Vermeer. Pouco depois - e como conseqüência do comércio internacional holandês - a indústria da porcelana floresceu. A Delft Blue é famosa até hoje.
Uma pena que o museu trate a Guerra dos Oitenta Anos de forma puramente idealista, como se eles tivessem guerreado por oitenta anos apenas por visões religiosas - Willem era protestante e defendia a liberdade religiosa, enquando o reino espanhol alinhava-se com Igreja. Nenhuma palavra sobre a ascensão do capitalismo, da burguesia e sua sede de secularização, e a íntima relação do protestantismo com isso. Pedir uma análise marxista talvez seja demais, mas pelo menos um pouquinho de Max Weber não faria mal. E para completar, um vídeo no qual eles comparam o assassino de Willem com o fanático islâmico que assassinou o cineasta Theo van Gogh no século XXI. Circunstâncias histórias completamente diferentes, uma clara propaganda anti-islâmica. Aliás, Willem van Oranje foi assassinado nesta casa, supostamente nesta escada aí:
A história oficial (pouco crível) diz que suas últimas palavras foram: "Meu Deus, tende piedade desta alma; meu Deus, tenha piedade deste povo [holandês]".
A pena do assassino de Willem (o infeliz foi capturado!) foi a seguinte: mão direita queimada com ferro em brasa, carne de seu corpo arrancada de seus ossos com pinças em seis diferentes locais, esquartejamento em vida, coração arrancado de seu peito e esfregado no rosto e, finalmente, cabeça arrancada. Para inquisidor nenhum colocar defeito.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Vermeer Centrum
Vermeer retratava a vida da burguesia de Delft nesta época, com excelente técnica para representar luz, cores e reflexos. Seus quadros geralmente expressam situações de paz, tranquilidade, harmonia, alegria:




Agora um pouco de ácido crítico que não estava expresso no centro: há algo de cruel em Vermeer. Ele parece retratar a utopia burguesa de dominação sem resistência. Os empregados sempre aparecem absolutamente submissos; não há o menor traço de dialética, de não-idêntico. A crueldade se torna mais patente quando se pensa que a tranquilidade e o luxo de Delft no século XVII eram sustentados pelo sangue da escravidão da Companhia das Índias. Tudo bem, nada disso tira o mérito de Vermeer como pintor. Reparar no reflexo da leitora da carta, na janela, acima. Mestre da luz.
Festa de aniversário
Rotterdam
A analogia não é de todo incorreta. Rotterdam foi bombardeada na Segunda Guerra Mundial, naquela que talvez tenha sido a maior estupidez da guerra depois dos campos de concetração e da bomba atômica. Todo o centro foi destruído, mais ou menos como se bombardeassem as imediações da Borges e da Andradas em Porto Alegre. Então, ao contrário de todas ou quase todas as cidades holandesas, Rotterdam não possui um centro histórico. Abaixo um bom vídeo o bombardeio:
Impressiona em Rotterdam o número de imigrantes. Não é por acaso que o novo prefeito é marroquino. Segundo um colega senegalês que mora em Rotterdam, a população imigrante é maior do que a nativa. E a impressão que se tem é essa mesma. Arianos são minoria, o que mais se vê é gente com aparência de africano, indiano, turco, indonésio, surinamês.
Rotterdam é a capital industrial e financeira da Holanda, e possui um dos maiores portos do mundo (por muito tempo foi o maior). A rivalidade com Amsterdam vai além do futebol - Ajax x Feyenoord: segundo os Rotterdammers, a cidade deles produz a riqueza, e Amsterdam a gasta. Mas, se o valor de uso da cidade é a festa, como já dizia Henri Lefebvre, então a generosidade de Amsterdam a torna mais cidade do que Rotterdam. Para mim, pelo menos. Mas nem por Rotterdam deixa de ser interessante.
A cidade é muito comparada com Nova Iorque. Não coneheço os EUA, mas ela de fato parece americanizada. Logo na saída da estação de trens (que está sendo totalmente reformada), arranha céus.
Caminhada pela cidade.
A marina e a Erasmus Brug (Ponte Erasmo), talvez o maior ícone da cidade. O dia nublado impede uma melhor visão da ponte, mas a foto é autêntica, afinal aqui está quase sempre chovendo.
O monumento Verwoeste Stad (Cidade Devastada), com a sua evocação do desespero e o furo no peito simbolizando como Rotterdam foi atingida em seu coração pelo ataque nazista:
As casas cúbicas. Sim, tem gente que mora ali, com carros passando embaixo, no túnel. Ou o sistema de isolamente acústico é excelente, ou eles não dormem. A biblioteca pública de Rotterdam é um capítulo à parte. Apesar de a arquitetura funcionalista-futurista não fazer muito o meu gênero, é de tirar o chapéu: seis pisos de livros.
A prefeitura e o Monument voor de gevallenen - "munumento aos caídos" -, dois homens, uma mulher e uma criança representado o passado, o presente e o futuro, um tributo ao povo de Rotterdam que sacrificou-se pela liberação do país.
E cenas diversas...
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Microscópio
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Amsterdam!
(A estação de trens)
(Jordaan à noite)
(uma avenida qualquer)
(Museu Van Gogh)
(Rijksmuseum)