quarta-feira, 8 de abril de 2009

Biblioteca Pública de Amsterdam

A Openbare Bibliotheek Amsterdam (OBA) é impressionante. Projetada pelo arquiteto Jo Coenen (que é professor na TU Delft), é a maior da Europa (segundo eles), e foi inaugurada há apenas dois anos. Sete pisos, 28 mil metros quadrados, custou 76 milhões de euros, o que mesmo para os padrões holandeses deve ser muito dinheiro - mesmo assim, o projeto foi aprovado por unanimidade no conselho municipal.

A biblioteca segue um conceito (em linha com as bibliotecas de Delft e Rotterdam) que vai muito além de um lugar sisudo e com cheiro de mofo onde ficar em silêncio é obrigatório. Centro de informação: não apenas livros, jornais e revistas, mas também DVD's, CD's, computadores. Importante, o acervo parece ser bom (procurei Pannekoek e encontrei).

A biblioteca fica a poucos metros da estação central de trens. À frente uma vista valorizada por janelas imensas, onde pode-se ler confortavelmente sentado ou mesmo deitado - sim, há camas na biblioteca. Um italiano me diz que para ter uma vista dessas na Itália, só sendo um grande banqueiro, mas em Amsterdam ela está disponível para qualquer um, basta ir à biblioteca pública. (Ele não conhece a vista dos favelados do Rio de Janeiro).

Restaurante e bar com terraço no último piso, onde se pode apreciar ainda melhor a vista. Teatro, piano, seiscentos computadores com livre acesso. Uma área infantil com móveis circulares formando uma espécie de "concha". Em todas as áreas, muito espaço, conforto e iluminação perfeita.

Passei a tarde inteira lá. Uma biblioteca dessas, sozinha, me convence a me mudar para qualquer cidade do mundo. Seguem fotos minhas e vídeos promocionais da página da OBA e do YouTube(propaganda é sempre propaganda, mas a OBA é realmente o que dizem e mostram).





































domingo, 5 de abril de 2009

Sparta 0x2 PSV

Os dois times que ainda faltava ver eram Sparta (Rotterdam) e PSV (Eindhoven), então esse era o jogo perfeito. Realizado no estádio mais antigo da Holanda (1916, recentemente reformado), o Kasteel (castelo) do Sparta. O Sparta foi fundado em 1888, e chegou a ser campeão holandês algumas vezes no início do século, mas faz décadas que não consegue mais.

O estádio é acanhado (cerca de 10.000 pessoas), mas entre os que fui, foi ali que senti a melhor atmosfera clubística. Cada vez me convenço mais que as arenas-shoppings são ruins para o futebol (boas para fazer dinheiro, ruins para o futebol). O Kasteel fica no Spangen, o bairro que tem fama de ser o gueto de Rotterdam, local onde 90% da população é constituída por imigrantes e onde concentram-se os traficantes de drogas - o que na Holanda significa comerciantes de drogas pesadas. Pelo que vi parece mais um bairro de classe média no Brasil, mas ainda quero conferir melhor esse lado B de Rotterdam.

Quanto ao jogo, o Sparta tem um time fraco, principalmente na defesa. Já o PSV, como clube empresa que é (para quem não sabe, PSV significa Philips Sport Vereniging ou Associação Esportiva Philips), joga de acordo: eficiente e insípido como uma fábrica. Infelizmente não saiu gol do Sparta.

Com isso já posso escolher o meu time por aqui. PSV está descartado. Ajax corre por fora. Mais chances para Sparta, Heerenveen e Feyenoord.








sábado, 4 de abril de 2009

Holandeses em extinção em Rotterdam?

Segundo o Centro de Pesquisa e Estatística de Rotterdam, apenas 40% da população jovem da cidade (até 29 anos) é formada por autótocnes. Na gíria, os imigrantes os chamam de "kaas" (queijos).

Holanda 3x0 Escócia

Obviamente, eu não podia deixar de assistir uma partida da Oranje. Eliminatórias da Copa, em Amsterdam (Arena do Ajax). Uma multidão de holandeses fantasiados de laranja. Comprei um chapéu para mim, com medo de que não me deixassem entrar no estádio sem pelo menos uma peça de roupa laranja. Mas também uma multidão de escoceses - de saia e tudo. E todos entrando no estádio numa boa. Os escoceses compraram mais ingressos do que os disponíveis no setor deles, então onde fiquei estava tudo misturado: à minha esquerda holandeses, à minha direita escoceses. Apesar da indumentária, os holandeses são calmos para assistir o jogo. Exagerando um pouco, é como se eles se fantasiassem de laranja para contemplar um Rembrandt. Se agitam mais no intervalo, quando colocam música nos alto-falantes. Os escoceses, com um quinto do estádio, faziam mais barulho do que eles.

O jogo não foi grande coisa. Mas é bonito ver como os holandeses sempre tentam resolver todos os lances com técnica e inteligência. Uma noção de decência futebolística que eles ainda parecem ter. Também dava a impressão de uma certa arrogância, como se eles achassem que não precisavam se esforçar para ganhar dos escoceses. O técnico parece estar estudando na maldita escola de Celso Roth: deixou Snijder no banco. O futebol dos escoceses, bom, é o limite entre o futebol e o rugby.

A Holanda ganhou de três a zero, com dois gols de cabeça e um de pênalti. Praticamente classificada para a Copa. Felizmente, assim a chance de ver bons jogos é maior.

[A volta do estádio é que foi um parto. Na saída fui pegar o trem na estação Bilmer Arena, abarrotada de gente, mas só tinha trem para Amsterdam Centraal (lado oposto ao de Delft), pasando por Schiphol (aeroporto, para onde iam os escoceses). Peguei e desci uma estação após, em Duivendrecht, achando que ali poderia pegar o trem para Delft. Esperei 40 minutos e nada. Então, desisti e fui para Amsterdam Centraal. Chegando lá, tive que esperar uma hora para pegar o trem para Den Haag Centraal (Haia, que fica a quinze minutos de Delft). Quando lá cheguei, surpresa, a estação estava fechada - naquele dia adiantaram o relógio (hora de verão). Pergunto ao funcionário: tenho que ir a Den Haag HS. Como chego lá? Vinte minutos de caminhada. Sorte que encontrei um grupo de holandeses que estava indo na mesma direção e me indicaram o caminho - um deles tinha ido ao Rio de Janeiro no carnaval e conheceu pessoas de Porto Alegre. Chegando em Den Haag HS, uma hora e meia esperando o trem para Delft. Quando finalmente cheguei em Delft, não tinha mais bonde. Devia ter deixado a bicicleta na estação. Mais meia hora de caminhada até chegar em casa. Resultado: o jogo terminou às 22:30 e eu cheguei em casa às 4:30. Com certeza os escoceses chegaram em casa antes de mim. A organização holandesa não resistiu a um estádio lotado e uma hora de verão simultâneos].







quinta-feira, 2 de abril de 2009

Capitalismo fim de linha, trabalho abstrato e demência coletiva

Chefe da Casa Civil do Rio Grande do Sul, José Alberto Wenzel:

O presídio gera emprego, gera renda, há circulação das pessoas que vão trabalhar, os guardas, essa renda vai a algum lugar, elas recebem o seu salário, elas gastam isso, buscam locação de imóveis dentro do município. Então na verdade o presídio não é simplesmente a detenção de pessoas, ele é um gerador de desenvolvimento.

Jornalista da RBS:

Secretário, eu concordo com todas as afirmações do senhor.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Budapest

Antes de ir a Budapest, tudo o que eu sabia sobre a Hungria era que é a terra de Luckács, um dos primeiros marxistas a resgatar a análise marxiana do fetichismo da mercadoria, que os húngaros se revoltaram contra o estalinismo em 1956 e e pouco antes disso montaram o grande time de Puskas. Boas referências.

Budapest - a pronúncia é à carioca, Budapext - é o resultado da união de duas antigas cidades, Buda e Pest, cada qual de um lado do Rio Danúbio. A cidade é bonita, muito ecletismo na arquitetura, na qual é possível notar desde influências orientais até os horríveis prédios funcionais estalinistas, pasando por gótico e barroco. Duas colinas das quais se pode apreciar a vista. Não deu tempo de ver tudo - por exemplo, os famosos banhos termais de Budapest. Uma estátua de Garibaldi ao lado do Museu Nacional - confesso que não sei o que ele fez por lá.

Os húngaros não são lá muito simpáticos - talvez os estalinistas-bolcheviques os tenham maltratado demais. Enquanto na Holanda quando se entra em uma loja se ouve um cantado "haalooooo" e quando se vai embora outro cantado "daaaaaaag", tudo acompanhado por um sorriso, na Hungria a coisa é bem mais seca, e sem sorrisos. E quase ninguém fala inglês, é preciso ter alguma habilidade com a mímica.

A língua húngara é suave, não é indo-européia (tem parentesco com o finlandês), e por incrível que pareça a sonoridade me pareceu semelhante à do chinês. Segundo a Wikipedia, através da aglutinação de sufixos o húngaro pode ter palavras como megszentségteleníthetetlenségeskedéseitekért - "por seus reiterados fingimentos de ser improfanável".

Nos restaurantes, as porções são pelo menos três vezes maiores do que as holandesas. E uma anedota que me contaram por lá, jurando que é verdade: quando a novela Escrava Isaura foi exibida na Hungria, muitos húngaros, em comovente ato de solidariedade, começaram uma campanha de arrecadação de fundos para... libertar a escrava.
















































Para ouvir um pouco da pitoresca língua húngara, a narração de um golaço que eles fizeram contra o Brasil: